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Âmbito e Objectivos

Na sequência dos Seminários sobre Desenvolvimento Sustentável, realizar-se-á um ciclo de Seminários sobre Inovação, a decorrer no 2º semestre do ano lectivo de 2006/07, no qual se procurará de novo:

  • Revelar competências do IST.
  • Facilitar cruzamento de formação e informação entre departamentos.
  • Interagir com o exterior.

O programa de estudos que se propõe tem um carácter modular, sendo sustentado por três grandes objectivos genéricos:

  • Desenvolver competências específicas para a promoção da inovação tecnológica, nomeadamente reforçando o papel do engenheiro na sociedade, tanto no sector privado, como na administração pública;
  • Produzir novos estudos empíricos , que ampliem a informação disponível sobre as actividades de inovação tecnológica em Portugal, de forma a contribuir para a base de conhecimento sobre o processo de inovação, tanto do ponto de vista das singularidades da realidade nacional, como, na medida do possível, para a base conceptual sobre as características genéricas da inovação;
  • Disseminar os resultados dos seminários, sempre que tal se venha a tornar pertinente, junto do público em geral, através de processos de consulta e discussões generalizados, especialmente quando as implicações dos resultados envolverem recomendações para políticas públicas.

Temas dos seminários

Os vários seminários foram planeados de forma a facilitar a discussão dos seguintes temas, os quais deverão ser considerados pelos alunos para desenvolvimento posterior dos seus trabalhos, tendo por base casos de estudo concretos.

  1. Inovação e Ciência: que relações e oportunidades em Portugal e no espaço europeu?
  2. Inovação e História: reflectir sobre o atraso estrutural português.
  3. Inovação e Produtividade: Desenvolvimento de Produto e/ou Optimização de Processos?
  4. Inovação e Mudança Organizacional.
Foto: Telecomunicações

1. Inovação e ciência em Portugal: que relações e oportunidades e no espaço europeu?

Embora se assuma, tanto no mundo académico como no dos decisores públicos e privados, que há uma relação linear entre avanços científicos e a inovação tecnológica, a verdade é que o relacionamento entre o mundo da ciência e o da valorização económica das novas tecnologias é de grande complexidade e subtileza. Perceber os contornos deste relacionamento, no contexto nacional, é crucial para se garantir que não se exija da ciência o que esta não pode proporcionar em desenvolvimento empresarial nem, do outro lado, se peça às empresas que se envolvam em ciência quando são ténues as razões económicas para o fazer.

Na verdade, embora para os estudiosos da inovação o "modelo linear" - que sugere que há uma relação quase mecânica entre I&D e inovação tecnológica - esteja ultrapassado, esta perspectiva continua a informar não só a percepção pública sobre a inovação e I&D, mas também, muitas vezes, as decisões de políticas públicas e dos agentes privados. Conjugando recentes avanços conceptuais e empíricos sobre o processo de inovação com o levantamento de dados específicos sobre a situação nacional, a análise deste tema deverá contribuir para clarificar de que forma o desenvolvimento de políticas públicas de ciência e de tecnologia se pode articular com políticas económicas e industriais para a promoção tanto da I&D como da inovação.

Como exemplo, considere-se a utilização do número de patentes como indicador do grau de inovação tecnológica. Em princípio, a utilização do número de patentes parece razoável, especialmente se considerada no contexto do entendimento linear da inovação. As patentes surgem como consequência de esforços de I&D que originam novos resultados com possibilidade de aplicação prática e de comercialização. Assim, o número de patentes (ou alguma medida de intensidade) poderá reflectir, numa primeira abordagem, o esforço dedicado à actividades orientadas para a inovação tecnológica.

No entanto, esta perspectiva é redutora, na medida em que simplifica excessivamente a complexidade do processo de inovação. A utilização de patentes varia fortemente de sector industrial para sector industrial, só para considerar uma dimensão desta complexidade. Na indústria farmacêutica, por exemplo, a utilização de patentes segue, de facto, a perspectiva linear. Mas o mesmo já não acontece na indústria da microelectrónica, em que as patentes são utilizadas como arma negocial em disputas comerciais. E há ainda sectores, tradicionalmente menos sofisticados, em que não há qualquer recurso a patentes, sem que isso implique que não haja introdução e adopção de inovação tecnológica. Por exemplo, em Portugal a TMN foi pioneira mundial na introdução dos telemóveis pré-pagos via ATMs, inovação esta (não patenteada) que se difundiu a nível mundial.

Na indústria do calçado tem ocorrido, também em Portugal, a introdução de que grande número de inovações tecnológicas, desde o corte de couro por laser à utilização de algoritmos para determinar os cortes óptimos numa determinada peça de couro. Mais uma vez, estas actividades de inovação tecnológica não se reflectem em patentes. Desta forma, um país como Portugal, com uma estrutura industrial em que a inovação tecnológica nem sempre se reflecte em patentes, estará condenado a apresentar baixos índices de indicadores de inovação tecnológica baseados em patentes.

A intensidade do esforço de I&D que é feito nas empresas é outro indicador que deve ser analisado com cautela. Partindo da perspectiva linear da inovação, é evidente que quanto maior esforço em I&D pelas empresas maior a inovação tecnológica. No entanto, mais uma vez, esta é uma visão redutora. As razões pelas quais as empresas fazem I&D vão muito para além da introdução de inovação tecnológica, e incluem a formação de pessoas e actividades de acompanhamento de novos desenvolvimentos tecnológicos. Há sectores em que, de facto, o esforço de I&D se orienta directamente para a inovação tecnológica, e aqui a indústria farmacêutica é, mais uma vez, um exemplo de um sector em que a perspectiva linear se aplica. Mas há igualmente casos em que tal não ocorre. Por exemplo, hoje em dia há uma desaceleração na despesa em I&D nos Estados Unidos no sector dos computadores, à medida que a inovação tecnológica neste sector se acelera e aprofunda.

Adicionalmente, os resultados de I&D tendem a ser caracterizados por fortes "spill over effects", ou seja, os benefícios de quem faz I&D estendem-se para além da entidade que tem a despesa. Do ponto de vista das empresas, esta característica leva a um sub-investimento em I&D, já que não há apropriação total dos benefícios do investimento. Se combinar este resultado com o anterior, a conclusão é que uma política pública orientada para o aumento da despesa privada em I&D deve passar pelo aumento da despesa pública, o que é contra-intuitivo se pensar no modelo linear. Mas correcto se atender às características da I&D na sua complexa relação com a economia e com a inovação tecnológica. Aliás, se observar a trajectória dos países que hoje mais investem fundos privados em I&D verifica-se que, historicamente, este surto foi precedido por elevados e sustentados investimentos públicos.

Ainda outro factor a ter em conta na análise da despesa em I&D, seja ela privada ou pública, é que a despesa em I&D vai, na sua grande maioria, para pagar o salário a pessoas. Assim, de forma muito simplificada, a despesa corresponde ao salário médio das pessoas envolvidas em I&D vezes o número de investigadores e técnicos. Aumentar a despesa pode conseguir-se aumentando o salário médio, mas isto não significa que aumenta a capacidade produtiva do sistema. Esta só aumentará se o aumento da despesa vier associado a um aumento do número de pessoas envolvidas em actividades de ciência e tecnologia, o que poderá implicar a necessidade de estimular a oferta de graus avançados de educação.

Estes comentários servem para ilustrar a complexidade das relações entre I&D e a inovação tecnológica, demonstrando existir a necessidade de uma abordagem mais profunda aos processos de ciência e tecnologia. Não só são estes processos intrinsecamente complexos, mas o contexto sectorial e nacional, para não falar da trajectória histórica, podem influenciar decisivamente a interpretação que se faz das relações entre I&D e inovação tecnológica.

No contexto da motivação apresentada no parágrafo anterior, e com base na interpretação dos modelos interactivos da inovação, os seminários incluirão a caracterização de dinâmicas de inovação em empresas e nas suas relações com actividades formalizadas de criação de conhecimento (nomeadamente a   I&D), assim como com instituições orientadas para a produção e disseminação científica (designadamente, as universidades, os centros de investigação e os laboratórios do estado). Pretende-se posteriormente que os alunos desenvolvam casos de estudo sobre o relacionamento complexo entre I&D e inovação, fundamentando esse relacionamento.

Foto: Indústria auto

2. Inovação e História: reflectir sobre o atraso estrutural português

Estando hoje perfeitamente estabelecido, a nível internacional, que a construção de sociedades inovadoras e o sucesso de processos de mudança tecnológica depende da trajectória histórica dessas sociedades, pretende-se que os seminários contribuam para pensar a inovação e a tecnologia em Portugal sob uma perspectiva histórica, com ênfase desde a grande depressão de 1929 até à actualidade, indiscutivelmente o período mais significativo em termos de afirmação e de progresso da engenharia e da tecnologia em Portugal. É, portanto, no âmbito do processo de industrialização e das políticas económicas que o fomentaram que se tenciona desenvolver alguns seminários, por forma a permitir a devida contextualização. Nesse sentido, os trabalhos dos alunos que escolherem considerar este tema devem ser realizados num contexto cronológico com base numa definição prévia de grandes períodos correspondentes a diferentes momentos nas oportunidades de desenvolvimento da engenharia e da inovação em Portugal. A análise deve seguir três vertentes, a saber: a da conjuntura económica, a da Engenharia propriamente dita e a das obras e grandes realizações.

Os trabalhos dos alunos deverão ser realizados a partir do trabalho exaustivo de levantamento de informação realizado no âmbito da exposição " Engenho e Obra: a Engenharia em Portugal no século XX ", o qual inclui uma extensa base de dados disponível desde Março 2003 em www.engenharia.com.pt .

Foto: Inovação ergonómica

3. Inovação e Produtividade: Desenvolvimento de produto e/ou Optimização de Processos?

A discussão que hoje emerge sobre o papel do conhecimento e da inovação tem de ser entendida no contexto da evolução social e económica de Portugal na União Europeia, nomeadamente na necessidade de evoluir de um período baseado no investimento, para uma fase tendencialmente baseada na inovação.

Neste contexto, a compreensão do conceito de inovação na era que emerge inclui o modo como as empresas e os empreendedores criam valor explorando a mudança. A mudança tem sido associada essencialmente à introdução de novos produtos no mercado e/ou à optimização de processos, para além de questões de contexto e de âmbito organizacional e institucional, as quais não serão analisadas neste tema.

Neste contexto interessa promover junto de jovens estudantes de engenharia uma melhor compreensão sobre a importância critica de promover a inovação, e de analisar o impacto de inovações de produto versus inovações de processo, nomeadamente em termos de crescimento da produtividade do trabalho.

O objectivo ultimo associado ao desenvolvimento de trabalhos por alunos sobre este tema consiste em desenvolver casos de estudo bem definidos que caracterizem inovações específicas de produto e/ou de processo, de uma forma que venha a facilitar uma melhor compreensão sobre a razão porque é que, hoje em dia, Portugal tem cerca de 75% do PIB per capita da média da União Europeia? Será que Portugal não utiliza completamente os recursos que tem disponíveis para produzir, ou não o faz de forma tão extensiva como outros países? Ou será que os recursos disponíveis não são utilizados de forma tão eficiente como acontece noutros países? Ou, ainda, será que é devido a uma combinação de ambas as possibilidades? Para responder a estas questões, importa analisar casos concretos de inovação de produto e de processo e identificar o seu impacto no que respeita à produtividade no trabalho.

Foto: Inovação informática ao serviço das organizações

4. Inovação e mudança organizacional

É hoje bem conhecido que a inovação refere-se a um processo social, complexo e não estruturado, que vai para além de aspectos de base tecnológica e da introdução de produtos ou da implementação de novos processos De facto, há muito que se criaram instituições especificamente orientadas para a inovação como, por exemplo, as patentes e outras formas de propriedade intelectual, para além de um variado quadro de regulação da economia, o qual pode promover ou desencorajar a inovação. Mas em geral, perceber que tipo de organização, no sentido mais amplo da palavra, ajuda a promover a inovação é de crucial importância, especialmente porque as instituições, normalmente, custam a implementar e são difíceis de neutralizar, uma vez em funcionamento. Desta forma, os seminários procurarão ajudar a perceber, tanto numa perspectiva de benchmarking de outras práticas, como recorrendo à história de empresas específicas, que tipo de processos de mudança organizacional se poderão implementar para facilitar a inovação. Os trabalhos a desenvolver por alunos sobre este tema deverão abranger a análise de processos de mudança organizacional que ocorreram, ou foram motivados, com a introdução de várias tecnologias diferentes, mas deverá ser dada particular atenção à introdução de sistemas de informação e comunicação e ao seu relacionamento com a   necessidade de introduzir processos de design organizacional quando da sua implementação.

Pretende-se que os trabalhos dos alunos caracterizem casos concretos de mudança organizacional que acompanharam a introdução de tecnologias e/ou processos de base tecnológica, de forma a facilitar a compreensão da natureza complexa da inovação, sobretudo no que respeita à necessidade de facilitar aspectos organizacionais. Os trabalhos deverão ser realizados com uma perspectiva temporal, de forma a identificar formas de aprendizagem individual e colectiva , inequivocamente associadas a práticas inovadoras.