Âmbito e Objectivos

Enquadramento geral

  1. No ano lectivo de 2008/2009 terá lugar um novo ciclo de Seminários Interdepartamentais, sob a coordenação dos Profs. Paulo V.D. Correia, Amílcar Soares, e Maria do Rosário Partidário sob o tema global: Inovação, Desenvolvimento Sustentável e Sociedade do Conhecimento.

    Os seminários decorrem apenas no primeiro semestre, e tratam as questões da Inovação na Perspectiva da Integração Europeia e da emergência do paradigma da Sociedade do Conhecimento e do Desenvolvimento Sustentável.

    Pretende atingir-se os objectivos seguintes:

    • Revelar competências do IST;
    • Facilitar cruzamento de formação e informação entre departamentos;
    • Interagir com o exterior.
  2. A génese dos problemas ambientais verificados durante as últimas décadas deve-se essencialmente à conjugação de dois factores: O aumento da população e o crescimento da actividade económica. A população da Terra duplicou nos últimos 50 anos do Século XX, o que associado a modelos de crescimento inerentes às sociedades mais “evoluídas”, implicou a procura crescente de alimentos, bens, serviços e espaço.
  3. As prioridades definidas no Tratado de Roma, o qual deu origem à Comunidade Económica Europeia, em 1957, consistiam na criação de um mercado comum, com níveis de desenvolvimento harmonioso que permitissem o aumento do nível de vida, apenas do ponto de vista do crescimento económico.

    Em 1972, a crescente deterioração das condições do ambiente levaram à primeira decisão formal de estabelecer uma política ambiental comum, a qual se consubstanciou no ano seguinte, através do estabelecimento do primeiro programa de acção ambiental. Contudo, a política ambiental continuou subordinada aos objectivos básicos estabelecidos nos tratados Europeus, os quais não tinham definido um papel para as questões ambientais. Sendo assim, as medidas globais tomadas nesta matéria tiveram pouca relevância prática.

    Esta situação não se alterou significativamente nos programas de acção subsequentes, até que em 1987, já com 12 Estados membros, a política ambiental da UE se assumiu formalmente como um objectivo comunitário, através da assinatura do Acto Único Europeu.

  4. Por outro lado, a nível global, publicava-se em 1987, o resultado do trabalho de uma comissão nomeada pelas Nações Unidas, intitulada “WCED-World Comission on Environment and Development”, presidida pela ex-primeira-ministra Norueguesa, Gro Harlem Brundtland, pelo que este trabalho ficou conhecido com o relatório de Brundtland. É neste relatório que a expressão “Desenvolvimento Sustentável” ganha notoriedade, sendo definido como aquele que permite satisfazer as necessidades das gerações actuais sem comprometer a possibilidade de as futuras gerações satisfazerem as suas.

    Na sequência deste movimento, ocorre em 1992, a Conferência do Rio, na qual mais de 170 países aceitaram transpor para a sua legislação os conceitos inerentes ao desenvolvimento sustentável, tendo o plano para esta transição sido estabelecido num documento intitulado Agenda 21. Desde esta data, inúmeras cimeiras, programas políticos e movimentos diversos constituíram-se como um legado indiscutível do Século XX.

  5. No âmbito da Inovação pretende-se:
    • Desenvolver competências específicas para a promoção da inovação tecnológica, nomeadamente reforçando o papel do engenheiro na sociedade, tanto no sector privado, como na administração pública;
    • Produzir novos estudos empíricos, que ampliem a informação disponível sobre as actividades de inovação tecnológica em Portugal, de forma a contribuir para a base de conhecimento sobre o processo de inovação, tanto do ponto de vista das singularidades da realidade nacional, como, na medida do possível, para a base conceptual sobre as características genéricas da inovação;
    • Disseminar os resultados dos seminários, sempre que tal se venha a tornar pertinente, junto do público em geral, através de processos de consulta e discussões generalizados, especialmente quando as implicações dos resultados envolverem recomendações para políticas públicas.
  6. Esta breve análise da evolução da “consciência colectiva” para a interacção entre as questões ambientais, sociais e económicas, contribuiu decisivamente para transformar o referencial científico clássico, compartimentado em disciplinas estanques, num novo paradigma, crescentemente multidisciplinar, o qual, sendo complementar do primeiro, coloca um novo desafio ao contributo da engenharia: que assuma um carácter mais fortemente horizontal e integrador de conhecimentos.

    É neste contexto que a iniciativa de criação de “Seminários Interdepartamentais no IST”, em particular, sobre os temas da Inovação e do Desenvolvimento Sustentável, se pode assumir como um contributo para um futuro relacionamento no interior da escola e, para o seu posicionamento na Sociedade.

    A sexta edição destes seminários, será consagrado à análise de diferentes contributos da engenharia e, em particular, do seu ensino e das suas práticas, para a inovação e para o desenvolvimento sustentável. A abrangência dos tema e a limitação temporal estabelecida para a sua análise sugerem, no entanto, que se estabeleça uma focalização em temas indiscutivelmente multidisciplinares.

Temas dos seminários

Os vários seminários foram planeados de forma a facilitar a discussão dos seguintes temas, os quais deverão ser considerados pelos alunos para desenvolvimento posterior dos seus trabalhos, tendo por base casos de estudo concretos.

  1. Desenvolvimento sustentável, ambiente e território;
  2. Desenvolvimento sustentável e os sistemas produtivos;
  3. Desenvolvimento sustentável e o mar;
  4. Inovação e Ciência: que relações e oportunidades em Portugal e no espaço europeu?;
  5. Inovação e História: reflectir sobre o atraso estrutural português;
  6. Inovação e Produtividade: Desenvolvimento de Produto e/ou Optimização de Processos;
  7. Inovação e Mudança Organizacional.